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Aos 12 anos, irmã surfista de Medina diz: 'Ele é inspiração em tudo'

Débora Miranda

20/02/2018 07h49

Sophia comemora o aniversário com o irmão Gabriel Medina (Reprodução/Instagram)

A caçula da família Medina é Sophia, 12 anos, chamada pelos mais próximos carinhosamente de Sossô. Ela gosta do que todas as crianças de sua idade gostam: ficar com os amigos e brincar. "Eu também gosto bastante de esporte. Ando de skate, jogo bola, tênis e basquete", enumera a jovem torcedora do Palmeiras. "O meu pai é palmeirense. Eu vou aos jogos com ele, ou assistimos juntos pela TV", conta, referindo-se a Charles Medina.

Sophia é a irmã mais nova do surfista Gabriel Medina, campeão mundial em 2014 e o primeiro brasileiro a atingir tal façanha. E da influência familiar veio sua paixão pelo surfe. "Comecei a surfar com 9 anos. O meu pai me empurrava na prancha, em pé. Aprendi assim", conta. "E o Gabriel sempre me influenciou. Para mim ele é uma inspiração em tudo. É humilde, esforçado, está sempre treinando e tem um objetivo. Foi campeão mundial e agora quer ser bi. E acho que ele vai ser."

Aos 12 anos, a determinação de Sophia não fica tão longe da do irmão campeão. Ela compete desde os dez anos e, pouco a pouco, vem mostrando seu potencial. Entre os destaques, venceu em janeiro o sub 16 do Rip Curl Grom Search, etapa de São Francisco do Sul (SC). O campeonato terá sua grande final neste fim de semana, em Búzios (RJ), e, se vencer, Sophia estará classificada para a final internacional, em 2019. "Eu sei que sou a mais nova, e isso não me importa. Vou tentar surfar igual ou melhor do que as outras meninas. Não tenho pressão, mas estou indo para ganhar", avisa.

Sophia comemora a vitória no sub 16 do Rip Curl Grom Search (Reprodução/Instagram)

Determinada, Sophia acorda todo dia cedinho para praticar no Instituto Gabriel Medina, um centro de treinamento de alta performance voltado ao surfe, em Maresias (litoral de SP), presidido por sua mãe, Simone Medina. "Acordo sempre disposta, normalmente umas 6h30. Gosto muito de ir para o instituto e treinar, me esforçar. Lá, temos aula de informática, inglês, natação, funcional e surfe. Todo dia vamos para o mar. Às vezes, quando não tem onda ou as ondas estão muito grandes, fazemos exercício de remada ou algo assim. Mas todo dia vamos para a água e ficamos por duas horas. Depois eu vou para a escola."

Sophia adora jogar futebol, mas conta que preferiu o surfe. "Meu pai falou que eu tinha escolher entre o futebol ou o surfe, porque são exercícios totalmente diferentes, que desenvolvem a musculatura de forma diferente. E eu gosto mais de surfe", conta, decidida. Charles é o responsável por treinar Gabriel, mas, quando está no Brasil, dá dicas preciosas para a caçula.

"Ele é um pai-técnico [risos]. Me apoia bastante e gosta que eu seja surfista. Ele é bem calmo, mas quando tem que dar bronca, ele dá. Eu obedeço e tento fazer o que ele corrigiu", conta Sophia, que, além do irmão, inspira-se na havaiana Carissa Moore. "Ela foi três vezes campeã mundial. Admiro-a no surfe e como pessoa. Já a conheci, ela é muito simpática, legal e humilde."

Sophia diz que seu maior sonho também é ser campeã mundial. "Quero muito e, por isso, treino muito. E tento competir o máximo possível para eu ganhar mais experiência e um dia chegar lá." A pequena é acompanhada de perto pela mãe, que a encoraja em seus sonhos.

"Sophia tem uma vida normal. Vai para a escola, brinca de polícia e ladrão, de pega-pega, como todas as crianças. Ela só tem 12 anos, tem que experimentar o que ela quiser. Ela é muito jovem, mas diz que quer ser campeã mundial. Quem tem que acreditar primeiro é ela. Eu acredito no que ela acredita, estou do lado dela sempre", diz Simone.

Campeonatos ainda são poucos

Apesar de o surfe feminino estar crescendo, ainda há dificuldades e limitações a serem enfrentadas pela nova geração. "Realmente o número de meninas que surfam ainda é bem menor do que o número de meninos", afirma Simone Medina. Ela explica que o Instituto Gabriel Medina, apesar de não ser filantrópico nem assistencialista, tem uma preocupação em desenvolver a modalidade, mas diz que o interesse das meninas ainda é pequeno se comparado ao dos meninos.

Os campeonatos voltados ao surfe feminino também são poucos, mas, segundo ela, vêm crescendo. "Há poucas competições, e isso está começando a mudar agora. É um trabalho que está aos poucos ficando mais sério."

Sophia treina na Califórnia (Marcio Canavarro/Divulgação)

Simone explica que as mulheres tendem a encontrar mais dificuldade para surfar do que os homens. "É bem diferente entre meninos e meninas, a começar pela distribuição do peso. Além disso, tem as questões hormonais. Para as mulheres é um pouco mais difícil, tem bumbum, quadril… Mas com boa alimentação, dormindo bem e treinando, não há problemas. O surfe é um esporte individual, cada um funciona de um jeito, cada atleta tem características próprias."

Ela continua: "Por outro lado, as mulheres têm de bom que crescem e amadurecem antes que os homens. A desvantagem física é compensada pelo fato de elas serem mais maduras. Isso é bom, ajuda muito na evolução. Elas não são tão inseguras nem tão confusas. E são muito determinadas".

Sophia aconselha quem sonha em surfar, como ela. "Eu acho que nunca pode desistir. Se a menina quer isso mesmo, tem que batalhar para conseguir."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?