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Aos 15 anos, promessa da natação feminina acumula recordes

Débora Miranda

16/10/2018 04h00

Como se cria um campeão? Sempre penso sobre isso, especialmente no que se refere a crianças e adolescentes. Muitos se revelam fenômenos do esporte desde muito cedo e, com isso, aprendem rapidamente quão importante é a determinação, a disciplina e a regularidade, a fim de conquistar boas marcas. A nadadora Fernanda Gomes Celidonio, da equipe do ASBAC Aquanaii, de Brasília, é uma dessas campeãs.

Fernanda acumula recordes e medalhes; no Mundial de Cáli, no ano passado, ganhou sete (Divulgação)

Aos 15 anos, acumula cerca de 20 recordes brasileiros de categoria, treina seis dias na semana e, aos 12 anos, pediu aos pais que a levassem à nutricionista para aprender a se alimentar melhor. "Faço dieta desde essa idade, mas nunca sofri muito. Quis ter uma alimentação regrada, porque eu sabia que isso faria diferença nos meus resultados", conta ela, que diz não ser de sair muito de casa. "Eu gosto de ir ao cinema, de assistir a séries… Nunca fui de ir a festas, nada disso."

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Fernanda diz que considera a natação o que faz de mais importante na vida e alimenta o sonho de chegar ao mais alto nível do esporte. "Se o mais alto nível que eu conseguir atingir for uma Olimpíada, vou ficar feliz. Se for bater um recorde mundial, também vou ficar feliz. O meu objetivo é sempre chegar ao meu melhor." Ela conta que admira os nadadores americanos Michael Phelps e Katie Ledecky, e tem Etiene Medeiros como inspiração entre os atletas brasileiros.

"Não só pelos resultados dela, mas também pela pessoa que ela é e por sempre incentivar os mais novos. No Troféu José Finkel [em agosto deste ano], eu subi no pódio com ela e foi muito bom. Ela é campeã mundial, recordista mundial, para mim foi muito importante. Ela é uma referência para mim, hoje em dia", diz Fernanda.

Etiene chegou a elogiar a jovem, após a disputa. "As meninas mais novas estão batendo recordes em cima de recordes, a Fernanda, de Brasília, é superboa. Então, a gente vê muito potencial no 100 metros costas e espero ajudar as meninas ainda." Fernanda ficou na segunda colocação da prova.

Fernanda gosta mesmo de nadar medley (Divulgação)

"Comecei a nadar basicamente desde que nasci, por influência da minha família. Meus pais sempre foram nadadores, fizeram parte da seleção brasileira e tudo mais, e minha irmã também nadava. No início, eu não gostava. Eu fazia natação porque a minha mãe sentia essa questão de segurança mesmo, na piscina e no mar. Ela me obrigou a aprender a nadar. Só que, depois que eu aprendi, eu nunca mais consegui parar. Adquiri amor pela natação", explica Fernanda.

Com o esporte, a jovem diz que aprendeu sobre trabalho em equipe e também respeito ao próximo, na vitória e na derrota. "Há meninas que são minhas adversárias nas competições e são minhas melhores amigas hoje em dia." Estudante do primeiro ano do ensino médio, ela sonha em fazer faculdade nos EUA e em continuar treinando. "Eu acho que vai ser uma mudança muito grande, mas vou me adaptar bem", conta a nadadora, que tem como sua principal prova os 100 metros costas, mas que adora mesmo é nadar medley.

Ela diz que a quantidade de meninos que praticam natação onde ela treina ainda é maior do que a de meninas. Será que as garotas não se sentem tão atraídas pela natação? "Nunca parei para pensar nisso, mas talvez seja por aí mesmo. Não consigo imaginar o porquê disso", responde a campeã.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?

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