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“Seleção tem muito potencial, mas preparo não foi correto”, diz ex-jogadora

Débora Miranda

21/06/2019 04h00

Em dezembro de 2018, a meio-campista Francielle anunciou sua aposentadoria do futebol. Um ano antes, já havia se despedido da seleção brasileira, cheia de críticas à CBF –que se mantêm até hoje quando fala do preparo da atual equipe feminina.

"Eu acredito na seleção e sei que o time tem muito potencial. Mas não acredito que o trabalho tenha sido realizado de forma correta para chegar a uma final. Não foi como tinha que ser", desabafa. "As outras seleções são muito melhores taticamente. A gente depende muito do individual, de uma Marta, de um bom momento da Cristiane, ou de uma bola parada. Não temos muitas variações de jogada. Isso deixa a desejar."

Francielle, quando ainda atuava pela seleção brasileira (Reprodução/Instagram)

Francielle não acredita, no entanto, que as lesões de jogadoras importantes, como Formiga ou Andressa Alves, sejam consequência de falta de preparo físico. "Isso tem a ver com o momento que a atleta está vivendo. A Andressa, por exemplo, estava em final de temporada pelo Barcelona, com muito desgaste [o time disputou a final da Champions League há um mês]. Sair de lá e ir para uma Copa do Mundo exige muito da atleta. Há outras seleções passando pelo mesmo problema."

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Francielle aprovou o jogo contra a Itália, que classificou a seleção para as oitavas de final do Mundial e diz que o time pode chegar à próxima etapa mais confiante. "O começo desta Copa já foi um recomeço, para apagar a preparação que não havia sido boa, com muitas derrotas. Gostei desse jogo e da atitude do Brasil. Mesmo com resultado magrinho, acredito que a seleção chega com o moral mais alto, fortalecida e confiante. No mata-mata, tudo pode acontecer."

Segundo ela, os testes realizados por Vadão foram positivos. A atuação de Andressinha no meio-campo foi elogiada pela ex-atleta, assim como a atuação de Ludmila.

Francielle também se animou ao falar da torcida pelas Guerreiras do Brasil. "Quando eu jogava não tinha essas coisas de as pessoas se reunirem para ver o jogo. Acho superimportante", afirma ela, que esteve na sede do Banco Votorantim para assistir ao jogo contra a Itália ao lado dos funcionários. A empresa foi uma das que decidiram exibir o jogo durante o expediente para os trabalhadores.

"Todo o mundo está com a mesma energia. Às vezes a pessoa nem entende muito de futebol, mas está lá, torcendo. Essa movimentação está acontecendo aqui no Brasil e fora também. E esse interesse só comprova a alta qualidade do futebol feminino", disse ela, confessando que sofre muito ao acompanhar as partidas de longe.

"Sofro muito quando estou de fora, meu Deus do céu!", conta, rindo. "É difícil porque, quando a gente está lá, tem como ajudar de alguma maneira, jogando, orientando. Aqui não tem como."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?

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