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Martine Grael: "Nunca tive gente me dizendo que era impossível"

Débora Miranda

29/09/2019 04h00

Martine Grael e Kahena Kunze exibem a medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio Foto: Reuters – 18/08/2016

Eleita a melhor velejadora do mundo em 2014 pela Federação Internacional de Vela, Martine Grael é apaixonada pelo mar e pelo esporte. Foi campeã olímpica, mundial e pan-americana –inclusive recentemente em Lima, quando comemorou com o pai, Torben Grael, e com o irmão, Marco Grael, o ouro triplo da família.

Martine começou a velejar aos 4 anos, e diz que, a vocação pelo esporte surgiu do incentivo familiar. "Eu, mais do que receber incentivo, nunca tive minhas asas cortadas, nunca tive gente me dizendo que era difícil, ou que era impossível, ou que eu não podia. Isso deixou a porta aberta", lembra ela, que tem na mãe, sua maior incentivadora.

"Minha mãe seguramente foi a maior incentivadora minha e do meu irmão. Ela nos acompanhava nas competições quando éramos crianças, nos deu tudo do melhor em estrutura familiar. Mas, mais importante: ela é uma das pessoas mais apaixonadas pelo mar que conheço. Sua maneira de ver a natureza me contagia!"

Com o pai, aprendeu o valor da amizade. E é em uma de suas melhores amigas que Martine tem seu porto seguro quando entra no mar para velejar. Kahena Kunze, filha do também velejador Claudio Kunze, é a companheira de Martine nas competições e na vida há muitos anos.

As duas velejaram juntas ainda na adolescência e, depois de um hiato, retomaram a parceria em 2009. "É um casamento, ou como ter uma banda! O relacionamento é muito intenso! Mas dentro disso gostamos de ter uma boa atmosfera no time e gosto muito que todos possam expressar sua opinião e participar das escolhas. Isso inclui no velejo", fala Martine sobre a parceria.

O esporte, ela diz, é tudo em sua vida e a levou a fazer suas melhores amizades –e náo só na vela. "No esporte você aprende a confiar nas pessoas, pois nas dificuldades é que elas são mais espontâneas e verdadeiras. No esporte você conhece os limites do seu corpo e percebe que é capaz de coisas extraordinárias. No esporte você aprende a controlar um pouquinho mais a sua cabeça. E aprende um pouco de humildade, pois não há vitória sem derrota."

O amor pelo mar, herdado da mãe, ocupa o tempo livre que a atleta tem. "Gosto de aprender maneiras diferentes de me relacionar com a água. Eu gosto muito de surfar, de velejar em outros tipos de barco, de remar, de mergulhar, de explorar essa imensidão azul."

A poluição nas águas –especialmente para elas, que treinam na Naía de Guanabara, no Rio, é assunto importante. "Precisamos investir pesado em educação e no esporte. Não sou tão jovem, mas me sinto parte da mudança. Sigo muito a [ativista sueca de 16 anos] Greta Thunberg e acredito que a mudança vai ter que acontecer, quer as pessoas queiram ou não!
Precisamos pensar diferente e fazer coisas diferentes se quisermos resultados diferentes."

De olho na Olimpíada no próximo ano, Martine diz que seu plano é fazer a melhor preparação possível. E entre seus sonhos a serem realizados, o mar não poderia faltar. "Gostaria de entrar para a vela profissional, que ainda está um pouco separada da vela olímpica, pelo menos para as meninas. Mas, se isso não der certo, gostaria de pegar um barquinho e dar um bom rolê pelo mundo. Mas também sinto que tenho muito a realizar ainda. Só preciso encontrar alguma coisa que me desafie."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?

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