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Quantas podem mudar de vida por meio do futebol?, diz diretora da federação

Universa

15/11/2019 04h00

Acontece amanhã, na Arena Corinthians, o último jogo da final do Campeonato Paulista entre Corinthians e São Paulo. O torneio, que encerra após Brasileiro e Libertadores, marca um ano memorável para o futebol feminino brasileiro, um ano "divisor de águas", como bem define Aline Pellegrino, diretora de futebol feminino da Federação Paulista.

Aline Pellegrino é diretora da Federação Paulista (Divulgação)

"Já houve outros anos importantes, mas não como esse. Tivemos a visibilidade que sempre nos faltou, e isso aproximou patrocínios, torcida e imprensa. E a chegada dessa visibilidade e desse engajamento é muito mais sólida. Estive na França, durante a Copa do Mundo, o povo estava na rua querendo ingressos, muitos jogos esgotaram-se bem antes. Todos estavam acompanhando", conclui.

Aline lembra que o futebol brasileiro já havia vivido momentos importantes, mas que não se sustentaram. Em 2004, por exemplo, quando chegou à final da Olimpíada de Atenas contra os EUA e conquistou a medalha de prata. E em 2007, no memorável Pan no Rio de Janeiro, que assistiu a uma final lotada no Maracanã e a conquista do ouro.

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"A diferença é que, quando a seleção voltou desses campeonatos, não tinha campeonato nacional aqui no Brasil, não tinha nada. A Copa deste ano foi importantes, mas fez diferença, quando ela terminou, as atletas poderem voltar a seus times, os campeonato serem retomados e o público poder continuar seguindo os jogos", destaca Aline.

Segundo ela o "despertar da galera" começou a acontecer no final do ano passado, quando rolou o sorteio de grupos para a Copa do Mundo feminina. "O SporTV fez a cobertura do evento. Depois veio a Nike lançando pela primeira vez um modelo de camisa exclusiva para a seleção feminina. E se seguiu uma enxurrada de coisas."

Os primeiros passos foram dados e a evolução acontece aos poucos. Ainda há reclamações por parte dos clubes com relação aos calendários –as etapas finais de Paulista, Brasileiro e Libertadores acontecem todas na mesma época, muitas vezes exaurindo as equipes. Aline pede paciência.

"É o bônus e ônus. Se a gente olhar hoje o calendário do futebol feminino com as competições que tem, é quase resta um. Não tem como fazer um calendário que fique bom para todo o mundo. A gente tem que fazer com que o resultado final seja bom para a modalidade. É normal que as coisas vão se ajustando aos poucos, assim como aconteceu com o futebol masculino no passado. Enquanto isso, os clubes que se destacam mais e chegam às finais, terão que fazer alguns sacrifícios. A saída é contratar mais ou olhar para a base", indica.

Incentivar esse olhar dos clubes para a base e para novos talentos é um dos principais objetivos do trabalho de Aline dentro da Federação Paulista de Futebol. "Se a gente conseguir construir oportunidades e trilhar um caminho, quantas meninas podem mudar de vida por causa do futebol?", questiona ela, que promoveu neste ano a primeira peneira sub-17 realizada pela FPF e acompanhada por vários clubes. E que já planeja, para o ano que bem, criar duas edições do projeto: uma na capital, outra no interior.

Aline fala com as jogadoras, na peneira sub-17 (Reprodução/Rodrigo Corsi/FPF)

O trabalho de Aline –ex-zagueira da seleção– vem sendo elogiado pelos profissionais envolvidos no futebol feminino, especialmente as mulheres, que sempre destacaram a importância de ter alguém "de dentro" atuando na parte administrativa, com um olhar pontual ao que é mais necessário ser feito.

"Tem muito amor, muita paixão, é a minha vida. A única coisa que eu fiz na minha vida foi jogar futebol, mesmo sem estrutura e sem direcionamento", afirma ela. "É importante o legado que estamos deixando neste ano, mostrando que as mulheres gostam, jogam e consomem futebol."

E, afinal, o que a diretora da FPF espera da grande final do Paulista feminino? "Ganhar um Paulista é muito difícil, e acho que esta final ainda está muito em aberto. As duas equipes merecem bastante e tenho amigas dos dois lados, então posso dizer que vai me doer o coração ver qualquer um dos times derrotados."

O Corinthians venceu o primeiro jogo por 1 a 0. Todos os ingressos para a final já estão esgotados, mas haverá transmissão pelos canais SporTV, Rede Vida e TV Cultura, às 11h.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?

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