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Hortência, eleita melhor atleta da história: “Nunca liguei pra preconceito”

Débora Miranda

15/12/2018 04h00

Ela sempre fez o que quis e da forma que achou melhor. "Eu tenho personalidade forte", garante Hortência Marcari, rainha do basquete brasileiro. "Eu sei o que eu quero e traço meus objetivos. Sempre tive isso dentro de mim."

Ícone do título brasileiro no Mundial de 1994, foi eleita em setembro deste ano a melhor atleta da história dos Mundiais, em eleição organizada pela Federação Internacional de Basquete, com 85% dos votos do público. "Nunca tinham realizado essa votação. Fizeram a eleição incluindo todos os mundiais, todas as gerações. Eu fiquei sabendo pela Paula [também ex-jogadora] e incentivei o pessoal a votar", conta ela.

Hortência e a medalha de prata que ganhou na Olimpíada de Atlanta, em 1996

Hortência faz parte do Hall da Fama do Basquete Feminino, nos EUA, e também do Naismith Memorial Basketball Hall of Fame. Ainda hoje é a maior pontuadora da seleção, com 3.160 pontos, marcados em 127 partidas oficiais.

"Eu nasci com espírito para ser atleta, só não sabia a modalidade. Pratiquei atletismo, handebol. Mas, na aula de educação física, acabei me apaixonando pelo basquete", conta ela, complementando: "Em 1974 era um esporte masculino, mas eu nunca liguei muito para o preconceito".

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Hortência não se tornou rainha à toa e, determinada, topou sair nua em um ensaio na Playboy de 1988. Ainda hoje, ela cuida bem do corpo e da alimentação. Malha diariamente e espalha em suas redes sociais mensagens de incentivo –especialmente voltadas às mulheres.

Independência sempre foi determinante para Hortência. E nenhum estereótipo jamais fez com que ela pensasse em abandonar as quadras. "Quando a gente faz aquilo que gosta, é um grande prazer." No dia em que seus pais foram vê-la jogar pela primeira vez, ela já estava na seleção brasileira. "Vim de uma família simples e, nessa época, eu já ganhava ajuda de custo do meu clube. Não tinha como ninguém ser contra."

Pouco restou dos tempos áureos do basquete feminino brasileiro, que atualmente sofre com falta de apoio e de repercussão. "O basquete feminino é um excelente exemplo do que acontece numa péssima administração. As meninas vão cada vez mais cedo para o exterior porque aqui não tem estrutura nem investimento na base", critica Hortência.

Segundo ela, é preciso motivar as novas gerações e levá-las a descobrir o esporte. Da mesma forma que ela se apaixonou pelo basquete durante a aula de educação física, outras crianças podem descobrir uma atividade de que gostem. "É preciso que o esporte esteja nas escolas para atingir as crianças. Não foi feito nenhum trabalho para descobrir novos talentos do basquete. Quem hoje vai investir nisso? Quem vai querer patrocinar?", questiona.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?

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