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"No futebol era a gordinha; no rúgbi, a mais forte", diz capitã da seleção

Débora Miranda

2017-05-20T19:04:00

17/05/2019 04h00

Raquel Kochhann sempre amou esportes e, desde pequena, sonhava em ser jogadora de futebol. Até a adolescência, atuou no Esporte Clube Juventude, mas a verba que financiava o time feminino foi cortada, e a equipe acabou.

Um dia, foi convidada pela amiga de uma amiga a ir conhecer o rúgbi. "Quando cheguei lá, foi amor ao primeiro contato", lembra ela, brincando com uma das características dessa modalidade esportiva: o contato físico.

"Quando eu jogava futebol, era a mais gordinha. No rúgbi, vi que isso era uma vantagem. Lá, eu era a mais forte, não a mais gorda."

Raquel Kochhann é a capitã da seleção de rúgbi feminina (Divulgação)

Raquel, hoje com 26 anos, diz que a inclusão foi importante para se envolver no esporte. "Quando comecei, tinha 19 anos. Pode parecer tarde para iniciar um esporte. Mas o rúgbi tem espaço para isso, tem espaço para todo o mundo. O importante é ter vontade de treinar. Ao resto a gente se adapta."

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Ela conta que, desde que começou a praticar o esporte, sempre o levou muito a sério. "Queria investir mesmo, para ser atleta."

E o investimento deu resultado. Hoje Raquel é capitã da seleção brasileira de rúgbi sevens (modalidade em que as equipes contam com sete atletas), que em abril foi campeã do Hong Kong Sevens Feminino. Isso significa que o time foi promovido pela segunda vez na história à elite da Série Mundial.

"Essa para mim foi a nossa conquista mais importante. Estamos entre os 11 melhores times do mundo e ganhamos vaga para o circuito mundial." A modalidade virou esporte olímpico em 2016 e a seleção chegou a disputar a Olimpíada no Rio, em que o Brasil pegou a nona colocação. O time ainda é campeão sul-americano invicto 15 vezes seguidas e foi medalha de bronze no Pan-Americano de Toronto, em 2015.

De título em título, o rúgbi feminino vem ganhando espaço no Brasil. Desde 2011, quando o COB (Comitê Olímpico do Brasil) incluiu a modalidade em seu Prêmio Brasil Olímpico, que elege os melhores de cada esporte, apenas um homem foi premiado na categoria. Em todos os outros anos quem venceu foi sempre uma mulher –e Raquel ganhou em 2017.

Apesar de ser bem mais antiga no Brasil, a categoria masculina tem poucas conquistas quando comparada às da jovem seleção feminina. "A gente não gosta de fazer comparação. Estamos lutando e conquistando o nosso espaço", resume Raquel, que conta sempre com o apoio maciço da família. "Mas o meu avô, até hoje, diz que é esporte de maluco", diverte-se.

A atleta diz que nunca sofreu preconceito, pelo contrário. Que o esporte, mesmo ainda não tão conhecido no Brasil, desperta nas pessoas curiosidade e admiração. "Quando eu conto que jogo rúgbi, as pessoas dizem: 'Nossa, sério? Vocês são fortes!'. Elas ficam bem impressionadas."

O contato físico existente no esporte, ela garante, nunca lhe causou nenhuma lesão grave "O preparo e o condicionamento físico ajudam a evitar isso. A técnica ajuda a nos proteger. A gente aprende também a como não machucar o adversário e a respeitá-lo."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do jornal Agora São Paulo. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?