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Aos 11 anos, Fadinha do Skate é a segunda melhor do mundo e mira Olimpíada

Débora Miranda

02/08/2019 04h00

Rayssa e o troféu que a alçou à segunda posição no ranking mundial de skate feminino (Reprodução/Instagram)

Contos de fadas se realizam. E a maranhense Rayssa Leal, 11 anos, esta aí para provar isso. Fenômeno do skate, a menina ganhou no último fim de semana uma etapa do mundial nos Estados Unidos, tornando-se a atleta mais jovem a vencer no SLS World Tour (competição da liga de street, em que a pista tem obstáculos imitando ruas).

Rayssa ficou conhecida depois que viralizou na internet um vídeo em que ela aparecia fantasiada de fada fazendo manobras de skate. "Eu estava desfilando no Sete de Setembro pela minha escola, e o tema era Peter Pan, por isso estava de fada. Quando acabou, eu queria andar de skate, então pus só o tênis e a meia e fui. Foi o maior sucesso", lembra ela.

Foi por influência de um amigo do pai que Rayssa conheceu o skate, aos 6 anos. Adorou e pediu um de presente. "Eu via vários vídeos e fazia as manobras. Comecei a evoluir mais do que o normal, e meus pais passaram a me levar para campeonatos", conta ela.

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Nessa época, no entanto, ninguém previa que ela pudesse figurar entre as melhores do mundo. "A gente viu que ela gostava muito e começou a levá-la para campeonatos. E acho que, por não ser tão pressionada, ela sempre se divertiu. Gosta de brincar nas competições, faz muita amizade, sempre encarou isso com leveza", conta a mãe, Lilian Mendes Rodrigues Leal, 28 anos, que viaja com a campeã pelo mundo e agencia sua carreira.

A performance de Rayssa no SLS World Tour derreteu o coração de todos que a assistiram voar sobre corrimãos e a colocou na segunda colocação entre as melhores do mundo, lado a lado com ídolos brasileiros, como Pamela Rosa, líder do ranking, e Leticia Bufoni, quarta colocada.

Ambas acolheram a caçula da seleção brasileira e a tratam com carinho durante os campeonatos –que não têm divisão por idade. "Com a Pamela converso todo dia, trocamos mensagens. Com a Letícia, mais nos campeonatos. Elas estão sempre me ajudando e me dando dicas, é muito legal. Dizem para eu não inventar muito nas manobras", conta Rayssa que, ainda hoje, treina de olho nos vídeos de internet.

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De hoje… Heel flip👊#desfile7setembro #hardflipskateboard #skatefeminino #fadinha #foishow #vivaoskateboard

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Para conseguir se classificar para a Olimpíada de Tóquio, que acontece no ano que vem e marca a estreia do skate na competição, a menina precisa se manter entre as 20 melhores do mundo até um mês antes da disputa, em julho do ano que vem. Rayssa diz que esse é seu maior sonho.

"Eu planejo agora estar em todos os campeonatos da World Skate [entidade que coordena a modalidade] e vou tentar dar o meu melhor. Sempre fico ansiosa antes das competições, mas tento me calmar. Penso em brincar, em dançar", conta ela, que gosta também de handebol e futebol, torce pelo Corinthians e adora jogar videogame com o irmão Arthur, 5 anos.

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Os pais, que sempre apoiaram Rayssa no esporte, também tiveram suas vidas transformadas. "Há cinco anos mudou muito a nossa rotina. Normalmente eu viajo com ela, para acompanhá-la nos campeonatos, e o pai dela fica cuidando do Arthur", conta Lilian, que trabalhava como operadora de caixa, mas teve de largar o emprego. Atualmente, a família vive das conquistas de Rayssa.

Estudante do sexto ano, a jovem campeã se esforça para conciliar treinos, campeonatos e os estudos. Mas a mãe conta, satisfeita, como o esporte mudou a menina: "Ela sempre foi muito fechadinha, quase não conversava com ninguém, era muito tímida. Agora está mais comunicativa, mais solta".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?

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