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Andy Murray e 5 lições de como a masculinidade deveria ser em 2019

Débora Miranda

18/01/2019 04h00

Lição nº 1: homem chora!

Foi às lágrimas que o tenista britânico Andy Murray anunciou, em uma coletiva de imprensa na última semana, que iria se aposentar, aos 31 anos. "Não me sinto bem. Venho lutando há muito tempo, tenho tido muita dor, por provavelmente 20 meses agora. Eu fiz tudo o que podia para me sentir bem. Mas ainda estou com muita dor."

Andy Murray chora ao anunciar aposentadoria
(AAP Image/Daniel Pockett/via REUTERS)

Lição nº 2: a igualdade é importante

Murray já foi o número 1 do mundo e ganhou dezenas de títulos no tênis, mas sua sensibilidade sempre fez com que ele fosse mais do que isso. Ele transcendeu o esporte e levantou a voz para falar sobre a importância da igualdade entre os sexos –no mundo e especialmente no esporte. E sempre pregou que homens e mulheres deveriam ser pagos de forma igualitária. Também chegou a afirmar que as partidas de tenistas mulheres deveriam com mais frequência ocupar as quadras centrais em Wimbledon, um dos mais importantes campeonatos da modalidade.

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Lição nº 3: reconhecer a competência feminina

Um dos episódios que mais marcaram a carreira de Murray foi a decisão de contratar, em 2014, uma técnica mulher: a francesa Amelie Mauresmo, que imediatamente passou a ser responsabilizada pelas eventuais derrotas do atleta.

"Eu sabia que trabalhar com Amelie causaria especulações, porque poucos jogadores antes de mim trabalharam com uma técnica mulher. Eu imaginei que isso poderia criar um sentimento de desconfiança e até negatividade. Mas o que não tinha ideia era que Amelie teria que enfrentar tantas críticas e preconceito. Tive um início de temporada ruim, e as coisas só melhoraram desde que ela chegou. Eu estava em 11º no ranking e agora estou em terceiro. Isso fala por si só. A competência dela sempre foi posta em dúvida, sinto-me envergonhado", afirmou Murray, em 2015.

E encerrou: "Se eu me tornei feminista? Bem, se ser feminista é lutar para que uma mulher seja tratada da mesma forma que um homem, então sim, eu me tornei".

Em sua luta contra a misoginia, o tenista britânico também ficou conhecido por corrigir repórteres. Ao ouvir de um jornalista que Sam Querrey havia sido o primeiro americano a chegar a uma semifinal de Grand Slam desde 2009 ele disparou: "Entre os homens", destacando que Serena Williams havia ganhado títulos nesse período –mais exatamente 12 Grand Slams. Outro declarou que Murray havia sido a primeira pessoa a ganhar duas medalhas de ouro olímpicas no tênis. Ele argumentou: "Acho que Venus e Serena ganharam umas quatro cada".

Murray defende a igualdade entre homens e mulheres –especialmente no tênis (Edgar Su/Reuters)

Lição nº 4: feminismo vem de casa

Judy Murray é a mãe de Andy e foi a pessoa que o apresentou ao tênis –já que ela também foi jogadora. Ela sempre discutiu muito a respeito da discriminação contra as mulheres no esporte e desenvolveu projetos para incentivar meninas a praticar tênis e ensiná-las a jogar gratuitamente. Andy já falou também que sempre foi muito próximo das avós, o que teria influenciado sua formação.

Lição nº 5: todas amam Andy Murray

A conclusão não podia ser diferente: as tenistas têm Andy Murray em alta estima. "Não acho que exista uma tenista que não apoie totalmente Andy Murray. Ele tem defendido os direitos das mulheres, especialmente no tênis, desde sempre. Tem uma mãe maravilhosa, que sempre foi uma figura forte em sua vida, e fez tanto por nós nos campeonatos. Nós amamos Andy Murray", afirmou Serena Williams.

Até a ex-campeã Billie Jean King, que enfrentou tanto machismo em sua carreira no tênis, é grande fã de Murray. Após a coletiva de imprensa em que ele anunciou sua despedida, ela lamentou no Twitter que a aposentadoria do atleta não pudesse acontecer em seus próprios termos, mas contemporizou: "Você é um campeão dentro e fora das quadras. Lembre-se de olhar para o futuro. O seu maior impacto no mundo ainda está por vir. Sua voz por igualdade vai inspirar futuras gerações".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do jornal Agora São Paulo. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?

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