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Neymar, Marta e Carson: o valor de um ídolo que tem valores

Débora Miranda

25/08/2019 04h00

A relação de amor do Paris Saint-Germain com Neymar parece ter chegado ao fim. Por motivos diversos, a torcida tem estendido faixas contra o atleta brasileiro e o xingado nas arquibancadas. Não é a primeira nem será a última vez que isso acontece no futebol, por motivos variados que, além do comportamento do próprio atleta, tem muito a ver com a paixão que o futebol desperta. E, na mesma medida, com a rejeição que ele pode instigar.

Torcedores do Paris Saint-Germain abrem faixa dizendo "Neymar, vaza daqui", no estádio Parc des Princes (Franck Fife/AFP)

Na época da Copa feminina, que coincidiu com a Copa América masculina, vi surgirem muitas discussões de como a seleção masculina já não despertava tanta identificação com a torcida brasileira e como o time feminino havia em grande medida ocupado esse espaço. Não estou aqui comparando número de torcedores, valores de patrocínios nem salários. Estou falando de valores humanos.

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Para as mulheres, especialmente, mas para todo mundo que gosta de futebol e acredita que ele pode transformar vidas, foi importante ver Marta abdicando um patrocínio mal pago em nome de uma marca que luta pela equidade no esporte, por exemplo. Dá aquela sensação de sentir orgulho do ídolo, de verdadeira admiração, de identificação. E é aí que o esporte transforma vidas: quando ensina valores, quando desperta força, quando mexe dentro da gente e nos mostra que nós podemos, sim, mudar o mundo.

Ser jogador de futebol ainda é um sonho que povoa o imaginário de muitos garotos no Brasil. Mas tem que ser mais do que uma ambição por dinheiro, por carros, por jóias e por poder. É legal ter uma vida confortável e é legítimo sonhar com isso? Óbvio! Luxo deve ser a principal motivação para um atleta? Eu diria que não. E talvez por causa de tanta injustiça, perseguição e preconceito, as mulheres venham ocupando cada vez mais esse importante espaço social dentro do esporte.

Todos os dias, elas vêm quebrando barreiras, lutando contra impedimentos e provando que podem ser bem-sucedidas profissionalmente. A história da jogadora americana Carson Pickett, que viralizou recentemente, é mais um exemplo disso. A atleta do Orlando Pride, mesmo time de Marta, nasceu sem parte do braço esquerdo. Há cerca de um mês, uma foto dela cumprimentando o pequeno Joseph Tidd, de um ano e meio, que também nasceu seu uma parte do braço, emocionou a internet.

 

Carson Pickett e o pequeno Joseph Tidd (Reprodução/Instagram)

Carson carrega uma tatuagem que diz "imperfeição é beleza" e costuma declarar que deficiência é uma palavra que atrasa as pessoas. Que ela gosta de se ver como única.
"Quando me perguntam como faço as coisas com apenas um braço, eu apenas respondo: 'Como você faz com dois?'."

"Meus pais me criaram de forma que eu nunca dissesse 'não posso'. Fora do futebol, eu tenho uma vida bem-sucedida e quero devolver ajudando crianças que precisam, mesmo que seja de uma dose de confiança. Acho que isso é vencer na vida."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Débora Miranda é jornalista e editora do jornal Agora São Paulo. Apaixonada por cultura. Acredita no poder transformador do esporte. Ginástica olímpica na infância. Pilates, corrida e krav maga na vida adulta. Futebol desde sempre. Corinthians até o fim.

Sobre o blog

Espaço para as histórias das mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo. A ideia é reunir depoimentos sobre determinação, superação e empoderamento. Acima de tudo, motivar umas às outras. Vamos juntas?